10 de Agosto, 2026

Redes sociais: onde todo mundo é feliz e ninguém lava a louça

0
ChatGPT Image 10_08_2026, 13_43_18.png33

As redes sociais realizaram um antigo sonho da humanidade: finalmente podemos acompanhar a vida de centenas de pessoas que não encontrávamos havia quinze anos e descobrir o que elas comeram no café da manhã.

É o progresso.

No Instagram, todo mundo acorda cedo, treina, trabalha feliz, toma café olhando para o horizonte e termina o dia agradecendo ao universo.

Enquanto isso, fora da câmera, existe uma pia com dezessete pratos aguardando uma intervenção da ONU.

A vida começa depois do filtro

Antigamente, quando alguém viajava, voltava com 184 fotografias e torturava pessoalmente os parentes.

Hoje fazemos isso em tempo real.

A diferença é que ninguém simplesmente vai à praia.

É preciso fotografar os pés.

Fotografar o coco.

Fotografar o pôr do sol.

E escrever:

“Vivendo momentos.”

O que é curioso, porque boa parte do momento foi gasta escolhendo qual das 43 fotos parecia mais espontânea.

E surgiram os especialistas

Outro fenômeno extraordinário das redes sociais é a velocidade da formação acadêmica.

A pessoa lê três publicações e imediatamente está preparada para explicar economia, futebol, relacionamentos, política internacional e exploração espacial.

Dependendo do assunto, ainda começa com:

“Vou explicar para vocês como realmente funciona…”

Pronto.

A NASA pode fechar.

A Resenha do Boemio

Rede social é uma ferramenta fantástica.

O problema começa quando comparamos nossos bastidores com o comercial de televisão da vida dos outros.

Porque ninguém publica:

“Hoje não produzi nada, comi qualquer coisa e fiquei duas horas procurando uma série para assistir.”

Mas talvez fosse justamente a publicação mais sincera da semana.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *