As redes sociais realizaram um antigo sonho da humanidade: finalmente podemos acompanhar a vida de centenas de pessoas que não encontrávamos havia quinze anos e descobrir o que elas comeram no café da manhã.
É o progresso.
No Instagram, todo mundo acorda cedo, treina, trabalha feliz, toma café olhando para o horizonte e termina o dia agradecendo ao universo.
Enquanto isso, fora da câmera, existe uma pia com dezessete pratos aguardando uma intervenção da ONU.
A vida começa depois do filtro
Antigamente, quando alguém viajava, voltava com 184 fotografias e torturava pessoalmente os parentes.
Hoje fazemos isso em tempo real.
A diferença é que ninguém simplesmente vai à praia.
É preciso fotografar os pés.
Fotografar o coco.
Fotografar o pôr do sol.
E escrever:
“Vivendo momentos.”
O que é curioso, porque boa parte do momento foi gasta escolhendo qual das 43 fotos parecia mais espontânea.
E surgiram os especialistas
Outro fenômeno extraordinário das redes sociais é a velocidade da formação acadêmica.
A pessoa lê três publicações e imediatamente está preparada para explicar economia, futebol, relacionamentos, política internacional e exploração espacial.
Dependendo do assunto, ainda começa com:
“Vou explicar para vocês como realmente funciona…”
Pronto.
A NASA pode fechar.
A Resenha do Boemio
Rede social é uma ferramenta fantástica.
O problema começa quando comparamos nossos bastidores com o comercial de televisão da vida dos outros.
Porque ninguém publica:
“Hoje não produzi nada, comi qualquer coisa e fiquei duas horas procurando uma série para assistir.”
Mas talvez fosse justamente a publicação mais sincera da semana.





